sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Luiza

           Brejeirice... a palavra que define Luiza. Define Luiza nos seus traços tão comuns que desconcerta, tão comum que se quebra em mil pedaços e me é tão difícil reconstruir peça por peça para não cometer o disparate de desconstruir a efêmera forma do único que lhe atribuí.

         Sim Luiza é só e é só languidez. É somente um imaginar vago e momentâneo de tormenta segundo. Tormenta de olhar Luiza, é só de olhar, não se pode beber ou comer Luiza, não se pode apertar, Luiza quebra. Já pensou quebrar o perfil de Luiza? Não? Aquele que desce o contorno do queixo em rosto fino, morenice de rio? E quebrar o perfil de Luiza com os ondulantes cabelos escuros que escondem o maxilar, ahhh o maxilar de Luiza é o fim do mundo! O fim do mundo quando Luiza tira os cabelos do rosto com um gesto displicente e revela os olhos, aqueles que são enormes e engolem o mundo e que até agora não sei se escurecem em tempestade ou verdejante visgo que escorre sobre a noite, que derramam no nariz nada delicado de Luiza quando a boca de lábios enormes, de sorriso enorme de Luiza mastigam meu peito e me devoram da boca ao féu, com dentes e saliva. Ahh como me míngua Luiza!...

          “Não fale Luiza, não diga nada”, não pronuncie uma só palavra e não se torne mortal de palavras vãs é vã. Aí Luiza cisma de cantar, “não canta Luiza, que mexe com meu juízo”. Não contente Luiza dança e canta e é cigana e cigana há feitiço... porque enfeitiça o meu tamborilar em ritmo de samba e lá vai Luiza, contente do meu desconforto de mim, ciente do poder de Luiza. Porque Luiza sabe..., ah sabe..., joga a cabeça para trás e ri o riso rouco de quem se sabe só provocação e nada mais.




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