domingo, 13 de novembro de 2011

BOCA

Elegi mais uma vez.
Agora você vai me dizer: "Não jurou não mais eleger?"
E me vi com as promessas que fiz e não cumpri. E não cumpri porque me exigiam demais e não aceito cobranças.
Aí me diz: "Disse que queria ser elegida de agora em diante. Conhecer da eleição o sabor do ser querida. Isso é contradição e você odeia contradições."
E me vi novamente controversa. E o que é ser contrversa além de me ser pelo avesso? E o que é o avesso além  do EU pelo reverso da mesma moeda?
E vem você e me diz. "Passado?"
Não... jamais será passado, porque ainda me é. E me lembra. E ainda me sou consequencia. Não se sinta abandonado porque quero eleger, porque elejo para me manter acesa.
"Mas você se extingue em sua própria chama."
Não faz mal, porque assim me sinto viva. Mesmo que finita, mesmo que breve, ainda assim viva. Quero ter o direito de me escolher acima da corrente vital que atende pelo nome de Cronos.
Ahh me deixa ser. E me deixa precisar.
Preciso boca adentro, porque tudo é fome e eu sinto tanta fome.
E me elejo BOCA.
Para te eleger toque, língua e saliva. Ou beijo e paladar. Ou o sabor metálico do sangue ou o doce fluído que te escorre.
Ah queria te gritar. O grito também é boca.
E o beijo é boca. E o sexo é boca. A palavra é boca. Fome é boca. Carinho é boca. Amor é boca. Ruína é boca. Bendita é boca, Maldita é boca.

E hoje eu Elejo.
E você vai me dizer: "Jurou não eleger."
Mas não ligo para o que pensa, pensamento não é boca.
E hoje só elejo BOCA.

Um comentário: