quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pés no chão

Fico feliz quando o vejo da janela do meu carro. Ou quando tenho de pular suas pernas estendidas impedindo o caminho, sentado no chão de uma calçada  rachada, áspera e engrecida quanto seus pés.

O doido da rua.


Dos meus tempos de criança tenho solidárias lembranças de sua sanidade, que guardo mais por mim do que por ele, um chamado para um "você ainda está aí" e de um passo, um tropeço e o Doido da rua.

Quem era?

O que lhe corroeu o juízo? Não sei. Uma lenda. Construo hipotéticamente as mais diversas situações de infortúnio que o abraçaram de delírio.

Sorrio.

Parece feliz e inocente na sua desaventurança. Teria encontrado ali o pouso do consolo?

Temo perdê-lo de vista.

O doido da rua.

Nenhum comentário:

Postar um comentário