sábado, 27 de novembro de 2010

Homofobia e violência da mulher


Não gosto de expor minhas opiniões pessoais aqui no blog, não sei, não gosto. Minhas opiniões acho bacana discorrer sobre elas assim tete-à-tete, olho no olho, sentindo no outro se estou sendo compreendida, ouvida, distorcida, corrompida e afins, sentindo até onde posso ir com aquela pessoa, onde é o ponto em que tenho que frear. Mas diante toda campanha, tantos questionamentos a mim feitos e etc resolvi me colocar.

São dois assunto complexos. Violência contra a mulher e contra os Gays. Não gosto de tratar do assunto assim prefiro tratar Violência contra o outro, independente de quem seja.

A complexidade do assunto está justamente no fato de que é difícil enxergar o outro como um ser único e individual. São assuntos diferentes porém que podem ser tratados da mesma forma para se resolver. O outro é o outro.

A mulher que é tratada como um objeto da casa. Que é obrigada a deixar o Ela e viver o Outro e quando resolve se livrar daquilo ou viver o Ela é agredida ou morta. Porque ela era dele. Propriedade e exclusividade dele. O objeto ao qual ele tem total controle, total monopólio, sobre o ser, o pensamento e porque não? Sobre a vida dela.


Ou a pessoa que ama, curte, gosta, enfim... de uma pessoa igual sem distinção de gênero. Homem ou Mulher. Gay. É o outro. Único e simplesmente o Outro. Porque incomoda tanto como aquela pessoa manifesta seu amor? Seu sexo? Por que o que ela faz entre quatro paredes incomoda tanto?

Digo por mim. Fui criada com os preceitos católicos, imbutido na cultura de que homem gosta de mulher e vice e versa. Cresci acreditando nisso, não usando de violencia fisica mas moral, me negando a falar com uma pessoa porque era gay e toda tentativa de aproximação dessa pessoa era repelida. Até o dia em que essa pessoa puxou uma cadeira, sentou na minha mesa, me olhou nos olhos e perguntou: " Porque você não quer falar comigo? Só saio daqui quando me falar. " - Percebi que eu não sabia, não tinha a menor idéia do porque, passamos a noite toda conversando, conheci uma pessoa maravilhosa. Mais macho que muito homem, mais íntegro que muita gente, mais humano que muitas pessoas juntas, um amigo como poucos., uma amizade de mais de 15 anos linda. E agradeço todos os dias por ter me pressionado, por não ter desistido de mim. E depois dele vieram outros, pessoas maravilhosas. Eu me permiti, enxerguei que não pensava, nem sabia porque reagia, aprendi que era assim e nunca questionei.

É cultural. Tanto um como o outro. É passado de pai para filho. Mas é muito bom saber que é possível mudar as formas de pensar, de agir, de enxergar  e de se libertar.

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor


E eu amo pessoas. Sejam elas quem forem, desde que sejam Pessoas.

(Ode a uma pessoa querida)

2 comentários:

  1. Muito bom o texto, acabei de ler :o) Temos sim que nos posicionar , muitas mulheres ainda sofrem da violência sutil, camuflada e isso todos os dias, os gays mais ainda. E essa é a mais difícil de se libertar!!!!

    .."tantos questionamentos a mim feitos e etc resolvi me colocar.
    fiquei curiosa? :o)

    ResponderExcluir