sexta-feira, 2 de abril de 2010

Do amor.

Houve um tempo que em que eu acreditava no amor romantico, consequentemente uma queda atrás da outra.
Durante muito tempo procurei encontrar explicações, teorizá-lo e a cada tentativa percebia o quão distante estava das respostas.
Tentei odiar todas as pessoas que amei, e notei que a cada tentativa era um passo para conhecê-lo em definitivo. E que cada paixão era no íntimo um passo para o encontro fatal.
Me entreguei, mergulhei sem nunca calcular profundidade. Arrisquei. Enlouqueci e fui completamente lúcida. Quantos tiveram medo desse amor? A quantos assustei com esse desconhecido? Quantos imaginaram que tinha perdido o limite entre o amor e a devoção?
A busca pelo grande amor da vida é justamente a busca pelo AMOR.
Ele se basta. Unipotênte, Unipresente, Onisciente, Presente, Ausente, Distante, Ao Alcance. Lágrimas de sangue e Bálsamo. Sede, Saciedade. Único, volúvel.

A melhor definição dele que encontrei, dito em palavras, vem de Paulinho Moska.



Do  Amor 
(Paulinho Moska)

Não falo do amor romântico,
aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão,
paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida,
explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto,
formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim,
que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído,
inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta?
O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
o amor será sempre o desconhecido,
a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido,
quer ser violado,
quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
e nós preferimos o leito de um rio,
com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha e
nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
o amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor,
se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita.
Ou melhor, só se Vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

7 comentários:

  1. Inacreditável,minha amiga,se tívessemos combinado: vá lá :o), tudo bem! Coincidência???,como sabe, não acredito muito,não.Prefiro pensar em "sintonia". Postei, agora, um texto sobre o "Amor", não é meu, mas fruto de uma pesquisa do livro: "Os sentidos da Paixão". E, agora, dando um "role" pelos blogs amigos não acreditei... gostoso isso, fico muito feliz!
    Bela escolha P.Mosca)
    Legallllll teu texto!

    Veja lá kkk
    bjus

    ResponderExcluir
  2. Oi Kátia

    fazia tempo que não postava...

    Minhas paixões viraram fotos rasgadas .

    beijos

    ResponderExcluir
  3. Ando meio sem inspiração.... Bjs

    ResponderExcluir
  4. O Flor... vou ler a tarde seu texto. Estou lendo o Sentido da Paixão pelo Google livros a parte que eles permitem, mas já dá para ter uma idéia. Sintonia entre nós duas é o que não falta kk bjs

    ResponderExcluir
  5. Acho que você me deu nesse post a resposta que eu estava precisando ouvir. Eu ainda sou marinheiro de primeira viagem, descobrindo agora o que é esse tal amor que todos dizem.

    O texto é uma boa definição em si, e por ele posso deixar de pensar no amor romântico, que para muitos (como eu) não leva a lugar algum. Mas o outro tipo de AMOR, esse sim é capaz de nos mudar e elevar a alma.

    Parabéns pelo blog.

    ResponderExcluir
  6. Olá Ledark, obrigada pela visita... então... Bem vindo ao clube...

    ResponderExcluir
  7. Ana Carolina Barbosajunho 23, 2010 3:07 PM

    Oi, sou Ana Carolina e adorei os poemas, também tenho um blog que escrevo poemas que invento, por favor passa lá e dá uma olhadinha:
    www.blogdossonhos.perfect-blog.net

    Beijões!

    ResponderExcluir