sábado, 6 de março de 2010

Eterno retorno.



Ando em círculos, não os cículos das pedras na superfície d'água que se abrem e se espalham até ser perderem e não mais conseguirmos indentificar onde se fundiram com o invevitável. Faço o caminho oposto. O acaso que se fecha em circulos sobre a pedra e com ela a beleza dos círculos se perdem na profundidade.

Tudo tão a ferro e fogo. O ferro que fere o couro. O couro tatuado, cicatrizes.

O tempo tem sido bom comigo.

E hoje quando cheguei do trabalho, vejo cruzar pela porta um amigo muito querido, que havia meses que não o via, embora soubesse que ele frequentemente está aqui em casa, nossos horários quase nunca se encontram, e poder dizer "Estava com saudades, há tempos não te via" isso em meio a um abraço apertado, num dia onde tudo o que queria era colo.

E resolvi.

Mudar. Mudar é uma palavra tão difícil. Fácil mudar um copo de lugar, fácil trocar a foto do porta-retrato, mudar. Varrer a casa, descer os livros, jogar fora velhos papéis, reformular. E habitar novamente aquele lugar que agora já não é o mesmo.

Aí me lembrei do texto do bom e velho Nietzsche O Eterno Retorno.

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

3 comentários:

  1. No filme "Fale com ela" -Almodovar, há uma frase que passa "despercebida", é preciso "ver assitir um vez mais, mais, mais...
    "Nada é fácil,eu sei,sou professora de ballet"

    metaforicamente: os movimentos..a leveza...o andar ,e, muito mais em relação ao nosso movimento no mundo com o mundo.

    Belo texto!
    bjus

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  2. hmmm....

    preciso pensar . Voltarei depois . Post com coisas a me desafiar .

    beijo

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