domingo, 15 de novembro de 2009

Do estranhamento




Dia desses, dito por uma profissional no assunto ouvi.
"Você sabe que é um ponto fora do esquadro, não sabe?" - tive uma crise de riso, foi inevitável.

Um ponto fora do esquadro. Uma seta sem busca de alvo. Um estranho no ninho.
Estranho. O que é estranho? O que resumiria esse estado do ser?
O que seria estranho?
Acho que o estado mais estranho é o se colocar no lugar do outro. Tentar compreender. Isso é estranho e no estado de estranho evitar. O compreender leva a dois estados o que simpatia ou de total antipatia.

Estranho é não aceitar o bom. É o não aceitar o que o outro tem a lhe oferecer quando isso é gratuito, simplesmente a pessoa oferece, assim desinteressadamente. Isso causa estranheza.
Gratuito, só é considerado quando causador de infortúnios.
Quando a beleza de atos, ou sentimentos é oferecido... torna-se estranho. Torna-se recusa, torna-se quase nada. Um ato falho.

Esse estado de estranho me encanta.
Humano tão roboticamente programado, tão metódicamente metálico. Outros pontos fora do esquadro talvez fizesse uma reta paralela, tão estranhamente perfeita.


"Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada..."
(Paulinho Moska)

4 comentários:

  1. Olá KT .

    Ver pelos olhos do outro(s) pode ser interessante . É uma arte dificil .

    Gostei da oração : " tão metódicamente metálico " .

    beijo

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  2. ....estranho é não aceitar o bom..
    lindo texto...tão cheio de "sabedoria". Gostei muitoooo!

    Metáfora -GIL
    Uma lata existe para conter algo
    Mas quando o poeta diz: "Lata"
    Pode estar querendo dizer o incontível

    Uma meta existe para ser um alvo
    Mas quando o poeta diz: "Meta"
    Pode estar querendo dizer o inatingível

    Por isso, não se meta a exigir do poeta
    Que determine o conteúdo em sua lata
    Na lata do poeta tudonada cabe
    Pois ao poeta cabe fazer
    Com que na lata venha caber
    O incabível

    Deixe a meta do poeta, não discuta
    Deixe a sua meta fora da disputa...

    BJUS

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  3. Lembrei de um verso do Fernando Pessoa no poema Janela para o Cais: "Que forma real tem isto tudo
    Do lado de onde não é absurdo?"
    Acho perfeito!
    Estranheza é só um ponto de vista.
    Abraço.

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  4. hmmmmmmmmm... estranho mesmo :)

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