Sem pensar muito ela pegou o telefone e discou. O número não era conhecido, nem decorado, nem esperado, mas o numero dizia muito. Aguardou o toque. E chamou. Chamou uma vez, outra e do outro lado alguém. - Alô... - disse a voz, um tanto apressada, parecia que tinha sido pego de no meio de uma outra conversa.
Ela sabia bem o que queria. E queria mais do que tudo que a voz também dissesse que queria.
- Te dou um doce se adivinhar quem é...
Um silêncio... segundos contados e entrecortados por suspiros ansiosos. Ela sabia como acabaria aquilo. Uma premonição...? Não, um ato falho. As certezas incertas de cada pedra daquele castelo de ilusões esfarelando-se e tornando-se areias sopradas pelo vento, cortante, frio do silêncio.
A voz... com um sussuro de um sorriso vitorioso, bingo!!!
- Nossa... espera que vou para outra sala... - mais silêncio, essa era a palavra exata para o decorrer da história, silêncio.
- Oi, o que te deu para me ligar?
"Não, ..." o íntimo gritava, por tudo o que ela estava pondo em jogo. "Não era essa a resposta, mente, só preciso dessa mentira."
Ela respondeu, a voz ponderada, controlada que foi encontrar no útero, encolhida, escondida e tremendo assustada:
- Isso é bom ou ruim? Se preferir eu desligo.
- Não, não é isso.
Mentiu, ela mentiu, não era esse o seu papel mas assumiu.
- Bom ouvir sua voz.
- É...
E ela não arrumou mais nada para dizer, não soube mais o que fazer com o que trazia com ela. Estilhaçou. Tentava em fração de segundos reunir todos os fragmentos do castelo que construiu. Sabia que aquilo era o fim. E tudo o que pode dizer em sua defesa foi um simples:
- ... Bom ... vou desligar. - Nem mesmo um beijo.














3 comentários:
Você tem muitos recursos estilísticos e conteúdo .
Este teu conto doeu .
beijos
PS : teu pensamento "virei um link " - sintetiza o que estamos nos tornando .
...nossa!!! gostei dele todo, mas
...um ato falho... arrepiou.
Parabéns.
bjsd
caramba que suspense :O
muto bom, mas eu não entendi o que aconteceu... beijoss
Postar um comentário