sexta-feira, 29 de maio de 2009

Enxerto Poético


Enxerto poético (Cantáteis)

Chico César.

Seu poeta preferido,
Bem antes de ser ferido
Já era ferido.
Antes.
Não visitou as bacantes, as nereidas e as ninfas.
Quis beber de sua linfa.
Esperou…
E não morreu.
Esse poeta sou eu.
De lira desgovernada.
Delírio, musa, amada.
Orfão, bisneto de orfeu.
Eu pra cantar não vacilo.
Digo isso, digo aquilo.
Digo tudo que se disse.
Digo Veneza.
Recife.
Fortaleza que se abre.
Quero que o mundo se acabe.
Se não disser o que sinto;
Digo a verdade.
Minto…
Vertente me arrebata.
Minha voz é serenata.
Labareda e labirinto.
A pena de uma galinha;
Trinta caroços de pinha.
Doce delíro de Vate
Um colírio, um tomate.
Um cartucho de espingarda.
O sangue da onça parda.
É tudo que trago e tenho.
Nada tinha de onde venho.
Leio o que arde sozinho.
Beba comigo do vinho;
Da arte do meu engenho.

Um comentário:

  1. Excelente este poema Katia! seria este Chico o mesmo que certa feita fizera sucesso com uma canção que deveria se chamar o óbvio ululante?, tipo, quando abri a torneira saiu água e afins?
    Se for, ele evoluiu pra valer msm.
    Muito obrigado por me aceitar
    Beijos
    Luiz Augusto.

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