sexta-feira, 20 de março de 2009

Memória de um Silêncio Eloquente

Memória de um Silêncio Eloquente
(Elisa Lucinda)

Para ti
sempre tive um infinito
estoque de perdão.
Só para ti
perdoei mais suportava,
mais do que pude.
Minha cerca-limite era sem estatuto,
não tinha um não delimitando nada.
Fui perdoando assim de manada
e muitos erros desfilaram me ferindo,
nos interferindo silenciosos,
sem ninguém denunciar.

Perdoa a dor que te causei,
é que você estava há tempos me machucando
e eu não gritei.

(Visita da Solidão, em A fúria da beleza)

Elisa Lucinda, livro : A fúria da beleza, página 196.

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