terça-feira, 12 de agosto de 2008

Te peço Perdão

Buscando um tema, na brincadeira pensei; Se fosse escrever sobre a minha vida como seria? Não sei, não tenho a menor idéia, mas com certeza seria um enredo bem latino... bem Almodóvar, bem Gabriel Garcia Marquez, ou Isabel Allende...

Nesse ínterim me bateu um sentimento que talvez há muito esteja gritando para sair, minhas saudades, minhas ânsias e urgências, que calo para melhor adequação.

Por falar em Gabriel Garcia Marquez, me lembrei de um livro dele, não é o meu favorito, mas ele tem uma história curiosa. Esse livro quando saiu foi um auê por causa do título, que muito pouco tem a ver com o conteúdo do mesmo, "Memória de minhas Putas tristes", é um romance muito sensível para um título tão pesado, talvez seja exatamente aí que se encontra o contra ponto. O curioso é que esse é o livro que mais dou de presente... Já dei para amigos sem nenhuma razão, simplesmente porque achei que gostariam. Já dei para uma pessoa que me foi muito querida e por alguma razão que desconheço, ou finjo desconhecer por medo do que possa ser a verdade, e aceito seu silêncio como um tributo e a única coisa que me resta como recordação. Já dei para minha professora, ou amiga, muito querida, porque cheguei ao sebo comprar um livro para o amigo secreto (era esse o acordo, livros usados), que de tão secreto não sabíamos até o momento da revelação, queria que a pessoa tivesse alguma coisa minha e todos os possíveis amigos secretos me eram muito caros, e se era em forma de livro que fosse algo que me dissesse respeito.

Mas por que me diz respeito já que não é o meu livro favorito? E relendo encontrei o porque desse livro ser por várias vezes presente. Ele é um manual sobre mim, meu pedido de desculpas, minha forma de dizer que sou cheia de defeitos e pedir para me aceitar independente deles.

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.
(Memórias de Minhas Putas Tristes - Pg. 74)




Resenha




É esta a indagação que Gabriel Garcia Márquez faz nesta obra que contribuiu para reafirmar seu prêmio Nobel de Literatura.
Um ancião, na véspera de seu aniversário de noventa anos, sente um desejo louco de viver uma noite de amor com uma virgem. Não apenas mais uma das centenas de mulheres promíscuas que passaram por sua vida, mas aquela que exalasse a pureza de nunca ter sido tocada.
Ao narrar sua história, ele mostra como seu velho coração é invadido por aquele sentimento que até então somente tinha ouvido falar, sem conhecer realmente seu significado: o amor.
Uma menina de 14 anos que precisa criar or irmãos e terminar de criar-se, desperta uma chama oculta na vida do nobre jornalista, que passa a transbordar esse sentimento nas suas crônicas, agora apaixonadas, no jornal de domingo.
Uma história que realmente nos faz pensar no quanto inusitada é a vida e no valor que devemos dar a cada segundo, pois ele é único e depois dele pode haver mais um, ou não.

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