sexta-feira, 11 de julho de 2008

Todas as mulheres

Victor Meirelles, “Mulheres Suliotas”, circa 1856/1858, óleo sobre tela, 32 x41 cm

Queria conhecer a vida de cada mulher existente em mim.
Impossível ser uma só.
De onde vieram meus cabelos lisos e pretos. Os olhos profundos e expressivos. Minha boca pequena e com sorriso largo. Meus traços do rosto. As pernas longas. Minha latinidade. Minha brasilidade, minha negritude, minha niponidade, lusidade enfim todas as mulheres juntas.
Hoje me olhei com outros olhos. Hoje ouvi minha voz e senti ela com mais veludo.
Hoje eu queria conhecer todas as
almas que já fui um dia.
De onde veio minha fúria?
Quem era a mulher sinuosa, que está em mim sob os lençóis?
Quem foi a mulher que eu trago nos olhos e me faz ver o mundo dessa forma?
Quem era a cigana que ria debochadamente dos olhares dirigidos a sua deselegância?
Eu quero saber de suas vidas. Me conhecer como eram.
Quem era a mulher que amou tão desesperadamente que esqueceu de si.
Que enlouqueceu, e se atirou sem olhar para traz e ensandece em mim.
Hoje me olho no espelho e me pergunto de onde vieram todas elas, quais suas vidas, casos e descasos?
Quais as mulheres me fizeram eu? Desde a forma de olhar até o chorar de rir, o dançar e pensamento?
Por isso me acho e me perco. Todas elas juntas, falando, gritando, exigindo e sendo elas mesmas dentro de um só ser. Todas querendo suas histórias de uma vez só.
Embora seja todas juntas ainda sou uma só.

2 comentários:

  1. Sem palavras, apenas lendo e relendo... pasmada! Katia, mulher de âmago tão profundo quanto belo!

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  2. Bel, sua opinião é sempre tão importante...!
    bj

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