domingo, 6 de julho de 2008

Ao Amor





















(O beijo - August Rodin)

Ao amor hoje fiz uma poesia. Já havia tempos que a poesia não me invadia assim sem motivo, sem razão, principalmente pelo tema.
Muito provável que a causa foi ter conversado com um companheiro do grupo na volta da apresentação da "Flecha Escura da Noite e a Pedra Branca" ontem em Sorocaba.
Conversávamos sobre os textos desenvolvidos, o processo da criação, acabamentos, finais, motivos, enfim, papo de doido mesmo, papo que a poucos interessa. Conversa de uma "sociedade secreta" que embora aberta a novos membros não desperta curiosidade geral. Uma sociedade secreta nem um pouco popular. Infelizmente.
Falamos do sentimento de finalizar um texto. Sobre textos não tenho tanta experiência quanto com a poesia, mas já tenho sentimentos com relação eles.
Como diz Machado de Assis, Você pode trocar de roupa, sem mudar de pele. Literalmente. Meus personagens são na maioria das vezes masculinos, não sei bem porque, talvez somente uma característica, ou porque sendo eles homens posso me apaixonar.

Exatamente, me apaixono por meus personagens. Uma paixão platônica, porque são seres fictícios, formados somente de letras piscando e correndo na tela. Me apaixono perdidamente, sofro por eles, me alegro por eles, penso, acordo e durmo por eles. Não gosto de escolher seus nomes pois farão deles minhas invenções, e sendo assim não posso me apaixonar, seria incestuoso.

Já faz um tempinho que terminei um conto. Desde de então não voltei a escrever. Bebi tanto desse personagem que estava de ressaca dele. Fiquei realmente depressiva quando cheguei ao ponto final dessa história. Sentimento de não querer abandonar aquele ser tão amado, me agarrei a seus detalhes, suas histórias e seus sentimentos não conseguia me separar. Não tornei a lê-lo desde que o finalizei como quem abandona um passado, para lembrá-lo saudosamente no futuro.
Hoje começo a me apaixonar por outro homem, outro ser de letras correntes. Enfim me levantei, sacudi minha poeira, chorei tudo o que tinha a chorar e toco a história para frente.

Um comentário:

  1. Não consigo dar continuidade aos livros que começo, (no máximo 1 ou 2 páginas), acho que sou muito volúvel na hora de escrever.
    Sou infiel,uma perfeita promíscua da palavra...
    Rapidamente mudo de idéia e abandono aquele filho sem pai ou mãe que o apóie.
    Então, além de tudo sou uma péssima mãe para os meus textos.
    Se eu fosse um texto, me odiaria, condenaría-me a pena de morte sem misericórdia!

    Bjos

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