domingo, 23 de março de 2008

No escuro

E como num estálo, ela percebeu que se caminhasse com os olhos fechados, nada mudaria de posição. Tudo estaria onde sempre esteve.

Sua percepção estaria mais apurada. E que tudo poderia ser como queria. Pelo simples fato de querer. Não haveria olhares incriminadores. Não existiriam as frases mal-ditas. E a visão das coisas seria sempre mais clara no escuro.

Arriscou-se. Deu o primeiro passo, ameaçou abrir os olhos por medo. O primeiro foi mais difícil. Seguiu-se o segundo e o terceiro. As mãos tocavam os móveis, a sensação de que estava tocando pela primeira vez lhe deu uma nova visão do mundo. Sensorialmente aguçada a chama quase em cinzas era tocada.

Abriu os olhos... tudo estava como antes. Fechou os olhos, tudo estava como queria que estivesse.

E seguiu assim, como os olhos vendados, escuridão provocada,  agora sabia que poderia caminhar assim e quando quisesse tudo estaria como sempre foi, tudo estaria no mesmo lugar. E nada teria mudado. O único risco era a escuridão se tornar abrigo. E isso pagava para ver.


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